quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ABANDONADOS

Foto: autor desconhecido


A gente se esquece ou a gente ignora. A gente não tolera ou falta paciência pra suportar. Tantas coisas, tantas pessoas, tantas diferenças que não sabemos encarar. Abandonamos, no meio da rua, no meio da estrada, no meio da conversa, no meio da vida. No meio do caminho, pra trás de onde conseguimos chegar. A gente não está preparado ou não queremos nos preparar. Não suportamos diferenças e por isto criamos desavenças. Olhamos para o outro e quando não nos vemos nele, viramos o rosto. Viramos também quando nos vemos, de um ângulo que não gostaríamos de ver. Ignoramos, isto é fato. Ignoramos os bons costumes, as pessoas que pensam diferente de nós. Ignoramos a presença de quem fala o que não queremos ouvir. Ignoramos o mau gosto ou o bom gosto, dependendo do nosso estado de humor. Ignoramos a fala, os versos, os cantos. Deixamos pra trás aquilo que não queremos levar em nós e levamos tantas outras coisas tão ou ainda mais pesadas que aquelas. Arrastamos mágoas por não suportar o perdão. Levamos desaforo não por não saber nos posicionar. Carregamos o peso da angústia por não conseguirmos amar aquilo que somos. E de tanta ignorância, ficamos pesados, lentos de tanta bagagem inútil, apenas por não saber olhar pro outro, perdoar, compreender e até mesmo pedir ajuda pra seguir em frente. Abandonamos o outro, mas muitas vezes também abandonamos nós mesmos. Abandonamos nossos prazeres, paixões, aquilo que realmente somos a fim de satisfazer as cobranças do outro que não aceita em nós, nossos defeitos. Abandonamos e somos abandonados, igualmente. Enquanto poderíamos andar juntos, todos e todas as diferenças, isolamos o outro sem perceber que estamos mesmo isolados sem ninguém pra nos compreender. Tão mais fácil é estender o braço que cruzá-lo. Tão mais simples abrir um sorriso que frangir a testa. Tão melhor, tão mais bonito e tão maravilhoso seria se assim conseguíssemos ser, sem complicar aquilo que já tem tudo pra ser complexo, mas ao mesmo tempo é maravilhoso: a convivência.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CHAMO DE CORAGEM

Foto: Pollyanna Sapori

Pode parecer egoísmo, sei bem que parece. Mas não é nada disto que você pensa. É apenas o meu jeito de estar comigo mesmo, de captar a energia da água, da areia, do mar...da brisa e coqueiros, em silêncio. Sim, em silêncio. O som das crianças na areia, dos pais gritando, das risadas regadas a bebida, dos esportes, me afastam de mim mesma. Não que a alegria dos outros me incomode, pelo contrário, mas é que algumas vezes na vida é necessário estar consigo mesmo, isolado do mundo, da vida e da opinião dos outros pra se encontrar com quem realmente somos. Pode parecer depressão, melancolia, mas sei que não é. É apenas meu jeito de me permitir olhar por dentro de quem sou, enfrentar meus medos e monstros, confrontar quem pareço com quem realmente sou e encontrar um equilíbrio entre tudo isto. Egoísmo ou depressão, tristeza ou melancolia, todos dêem o nome que quiser. Eu prefiro chamar de coragem, esta que nos impulsiona a não temer nós mesmos, nem tanto a opinião dos outros e se alegrar consigo mesmo num ambiente assim, deserto, coberto de mar e areia. Gosto de respirar fundo a brisa que vem do mar, enquanto aprecio as folhas dos coqueiros realizando o seu balé. Gosto de andar descalça e ver apenas as minhas pegadas, marcando o caminhos que percorri e que me levam adiante. Gosto de ver as ondas que vão e vem, como a vida da gente, o tempo todo. Gosto de ouvir minha própria risada e respiração. Gosto de olhar ao redor e ver que tudo isto, assim como eu, é fruto da inspiração e amor de Deus. Sim, o mar e tudo isto foi feito pra mim. Não pra mim somente, mas estando só numa praia deserta, percebo que também, assim como os outros, sou presenteada com a vida que Deus me deu. O afastamento do som da cidade, das pessoas, me faz encontrar comigo mesma e me alegrar com quem realmente sou. Egoísmo ou depressão, pode parecer pra você. Prefiro chamar de coragem, esta satisfação que tenho em ser eu mesma, ainda que tenha muito a descobrir e a consertar em mim.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

NÓS E OS OUTROS

Foto: autor desconhecido

Este outro que não sei o nome, este que vejo nas ruas, nas esquinas, nas praças e avenidas. Este outro, que esbarra em você ou em mim, toda hora. O outro que não sei onde mora, o que sente. Não sei da vida do outro, apenas imagino ou pré-conceito sobre quem é. Este outro que está do lado de fora ou as vezes do lado de dentro da minha casa. O outro por quem não criei afeto ou criei, mas que por não ser eu, as vezes me esqueço que ainda existe. Este outro que tem casa ou não tem, que almoça todos os dias ou não. Este outro que é bom ou ruim, que perdoa ou vinga, este outro que nem mesmo sabe quem é e vive em busca de si mesmo, assim como muitas vezes eu também ando em busca de mim. Este outro que não tem endereço fixo ou que, pelo menos, não sei onde fica. Este outro que não tem rosto ou dele nem me recordo. O outro que conheço, o outro que esqueci. O outro que nunca vi. O outro, este mesmo que você sabe quem é. Este que lhe vem a memória ou não, mas que você sabe que está em algum lugar por aí, embora tente disfarçar. Este outro que pode ou não lhe ser familiar. O outro que não tem idade, não tem cor de pele e se o tem, pouco importa agora. Este outro que as vezes te cumprimenta e sorri como velho conhecido. O outro que dorme ao seu lado, que te carregou nos braços quando era pequeno.  O outro que te virou as costas, que traiu a amizade. O outro que esteve com você quando menos imaginou. O outro que te socorreu de um acidente, que lhe abriu os braços e as portas de casa. O outro que lhe deu comida ou negou. Este outro, que lhe trás boas ou más recordações. Este outro que não lhe vem a memória. O outro que não sou eu e nem você. Todos os outros, assim como nós que precisam de um pouco de atenção e de afeto. Todos os outros que precisam tanto de carinho, de perdão, de compaixão e entendimento, assim como nós mesmos precisamos. Somos como os outros, embora sejamos nós. O outro é a gente mesmo neles, eles mesmo em nós. E todos, sem exceção, estamos juntos nesta jornada da vida, ora com rosto, ora sem. Ora sem teto, ora sem chão. Todos, independente da classe, da idade, da raça, do credo, precisamos uns dos outros para fazer sentido, para ter sentido viver. Estamos para os outros como eles para nós, todos estamos juntos e é isto que torna viver algo tão especial.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O MEDO E AS ESCOLHAS

Foto: autor desconhecido



Vejo ao redor tantos motivos de tantas pessoas. Motivos para fazer escolhas que não as fará bem, embora aparentemente acreditem ser a melhor escolha para aquele momento. Um cigarro que alivia a ansiedade mas que adoece os pulmões e lhes tira, pouco a pouco, o fôlego que dá a vida. As drogas que afastam da duras realidades mas te levam pra um mundo de ilusões sem volta ou com uma volta aos cacos, menos que pela metade. Escolhas que parecem boas, mas que são momentâneas de efeitos muitas vezes permanentes. A escolha por um casamento por medo de ficar sozinho. E por medo de estar só, se dorme só todas as coisas mesmo que tendo alguém ao lado, na mesma cama. Escolha pela profissão dos sonhos do pai ou da mãe, mas que não é o seu próprio sonho. Alegra-se o coração daqueles que ama mas angustia o próprio coração realizando aquilo que nunca se teve vontade de realizar. Vejo pessoas tomando escolhas e decisões, ou protelando decisões por medo e não por vontade. Suportar um casamento que já acabou por medo da separação, com ou sem filhos. A escolha do homem errado, que espanca, maltrata, simplesmente porque não há mais o amor próprio necessário que te faz gritar o basta, chega. Vejo muita gente, a grande maioria, tomando rumos na vida dos quais poderão se arrepender ou não, poderão se acomodar acreditando ser o único caminho possível, a única saída. Tenho medo do medo, porque ele quando vem arrasta as pessoas para lugares que não deveria ir, que não merecia passar. Por conta do medo se deixa de viver coisas tão belas, tão maravilhosas que tenho certeza que iriam viver. Tenho medo de ter medo. Não gosto das ciladas que ele é capaz de criar. A escolha de dizer sim quando na verdade se quer dizer o não. A escolha de não viver aquilo que a vida lhe chama a viver, uma viagem, uma aventura, um amor, simplesmente por medo de avião, de altura ou do fim. Peço pelos medos que tenho e que possa ter. Para que sejam afastados de mim com total violência, para que não me impeçam de viver aquilo que eu vim viver nesta vida. Todos nós fomos chamados e escolhidos para viver coisas grandiosas e que o medo não nos impeça de ser tudo isto que viemos ser. Tenho medo da decisão das pessoas ao meu redor, o medo do abandono, o medo da decepção, o medo da rejeição, o medo da solidão, o medo da não aceitação, medo de não ser querido, de não ser capaz. Medo daquilo que não se tem controle, de tudo o que está por vir e não sabemos. Estes medos que eu e você também enfrentamos vez ou outra na vida. Devemos ter medo do medo, mas não o medo que nos paralisa nele, mas o medo que nos faz antes de tudo afastá-lo, antes que ele se instale em nós. Saibamos assustar os nossos medos com ousadia, a ousadia de acreditar que aquilo que queremos é possível de se realizar e que tenhamos coragem de não dar ouvidos aos outros para as escolhas que devemos fazer. Que façamos as nossas escolhas com tamanha maturidade, coragem e ousadia que não há medo que nos impeça e nos faça arrepender dos caminhos que tomarmos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PROCESSO DE FEITURA

Foto: autor desconhecido    


Somos uma obra em eterna construção. Alguns dias colocamos os tijolos meio fora de lugar ou fazemos o cimento com tanta pressa que sobra areia e não sustenta quase nada. Em alguns casos, o alicerce não foi colocado com segurança ou, as vezes, nem colocado foi e aí, desmoronamentos acontecem diversas vezes no decorrer da obra, atrasando o amadurecimento e o avanço da construção. Estamos constantemente em obras e por isto, devemos nos desculpar pelos transtornos. Caminhos que atravessam as ruas, britas jogadas na calçada do outro. O barulho que causamos nos vizinhos, o incômodo dos nossos defeitos. Obra inacabada, eu sei. Tantas e tantas vezes atravessamos o terreno das outras pessoas, avançamos o lote, fazemos a metragem de forma incorreta. E de ferragem sobram os ferrões que a gente solta naqueles que não nos compreende ou a gente simplesmente acha que são obrigados a nos aturar. Todos estamos em obras. Uns mais adiantados que os outros. Algumas obras mais bonitas que as outras, mais perfeitas, com alicerces mais sólidos e mais seguros. Outras como ruínas, há anos no mesmo lugar. Obras pra tudo que é gente, pra tudo que é jeito, mas todos assim, em obras. Estamos em processo de feitura, eu sei. E por isto devemos ter paciência consigo mesmo e com os outros. Respeitar os terrenos, suportar os transtornos e seguir em frente sem olhar pra obra do vizinho com se ele sim tivesse a obra melhor que a sua, mas cuidar da própria obra. Seguir a cada dia, assentando os tijolos, os pisos, fazendo a melhor massa de cimento que se puder fazer. Colocar as janelas e abrí-las pra deixar a luz entrar. Deixar a porta fechada para não entrar quem não é convidado, mas colocar a campanhia para autorizar aqueles que quiserem vir ao nosso encontro, ser a nossa companhia. Estamos em obras e enquanto existirmos é assim que deve ser, porque não nos deve importar a obra acabada e finalizada, mas a perfeição do processo de construção que pudermos fazer.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MUITO PRAZER

Foto: Getty images  



As vezes ela adormece. Mas envelhecer ou morrer, isto nunca. Não permito que isto aconteça. Dependo dela pra ser quem devo ser. Minha alma, minha verdade, quem verdadeiramente eu sou. Ainda que aqui, do lado de fora, tudo pareça diferente. As aparências enganam. Não envelheci como pareço ou, se envelheci, é porque a deixei dormindo demais do lado de dentro. No fundo, lá no fundo,eu queria ser ela a vida inteira e posso sê-la se a permitir correr, brincar e sorrir dentro de mim. Posso deixá-la sonhar o quanto quiser, sem conhecer os medos e as inseguranças que o mundo nos oferece e nos paralisa. Gosto de vê-la como é, mas muitas vezes, confesso, tudo a minha volta insiste em me fazer esquecê-la, deixá- la de lado e vestir a capa da maturidade que muitas vezes é séria ou chata demais. A vida foi feita para ela, não pra mim. Preciso deixá-la livre para ser aquilo que Deus traçou para que fosse. Ser leve, ser solta, sincera e cheia de autenticidade. Nada de mentiras ou vez ou outra, pontualmente, um faz de conta que nos é tão necessário para sobreviver as durezas que a vida nos traz. Uma esperança que transcende a face e as desesperanças dos outros. Um sorriso capaz de apagar qualquer tristeza e transformar as lágrimas em lágrimas de felicidade. Ela é assim e vez ou outra preciso estar sozinha pra me encontrar com ela. Vez ou outra, ainda que só, não consigo encontrar a sua companhia. Algumas pessoas têm a capacidade de me devolver a ela e juntas, ah, somos capazes de coisas inimagináveis e lindas ao mesmo tempo. Sei que ela vive em mim o tempo todo. Ainda que eu tente calar seu riso ou esconder seu rosto. Quando me alegro de verdade, ela aparece em meu sorriso. Quando estou ao vento, quando escuto uma música e sempre, sempre que estou com Deus ali ela está. Em todas as minhas orações, ela vem orar comigo. Talvez por isto eu goste tanto de estar em oração....porque tenho sua companhia e estou mais perto daquilo que realmente sou. Ela, sou eu. De uma maneira tão inteira, tão intensa, tão real que nem eu mesma sei a beleza que isto tem. Mas sei que toda vez que nos unimos, Deus sorri e se alegra porque nos fez assim, para sermos uma. Que eu não me afaste e nem a deixe dormir além da conta. Que ela apenas repouse o necessário para acordar me devolvendo tudo aquilo que eu sou, o tempo todo, a vida inteira. Sem ela, sou metade, não sou eu. Minha alma, minha essência...como esta menininha ruiva, de olhos fechados e sorriso no rosto. Ruiva e feliz. Tranquilamente feliz e realizada. Pra quem não tem a capacidade de me ver assim, muito prazer...esta sou eu.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O TEMPO E EU

Foto: autor desconhecido
Não sei se o meu problema com o tempo e o de todo mundo está na dificuldade em administrá-lo ou na dificuldade em elencar prioridades. No meu caso, transito por uma coisa e outra sem medo de atravessar.  Minhas prioridades as vezes são distorcidas. Coloco na frente de mim mesmo, situações e questões que muitas vezes me impedirão de andar. As vezes, coloco na frente a opinião das pessoas, os comentários maldosos, embora eu já tenha aprendido muito a não dar tanta importância para eles. Outras vezes, as preocupações cotidianas com dinheiro, trabalho passam muito à frente de outras tantas e tão mais necessárias como uma caminhada no parque, tarde com amigos, sofá sem fazer nada. O tempo talvez esteja a meu favor, eu é que não costumo estar a favor dele. Com pressa, não pode parar pra me esperar. Empacada, deixo ele seguir lamentado o quanto ele já se foi. Sei que com você aí do outro lado é mais ou menos a mesma coisa em grande parte das vezes. Sei que também culpa o tempo, embora muitas vezes não devia. Não, não atribua responsabilidades demais a ele que só faz aquilo que sabe, melhor do que nós fazer, seguir o seu rumo. Nós é que devemos aprender com ele, seguir em frente. E seguir não é apenas fazer aquilo que se tem que fazer, mas fazer aquilo que se quer fazer. Sabe aquela vontade que bate de parar tudo no meio de uma tarde e ir tomar sorvete na praça? Faça. Nunca se sabe que outra oportunidade terá de realizar isto por você. As nossas perfeições nos deixam completamente imperfeitos. Então, siga aquilo que acha certo, correto e principalmente, aquilo que lhe faz bem. A primeira pessoa que deve fazer bem a você é você mesmo, não os outros. Então, não espere deles as respostas para seus caminhos, as decisões para o seu futuro. Faça as suas apostas em você. Não espere o tempo passar, nem culpe por ele já ter ido o quanto já se foi. Aproveite o tempo que tem agora, este mesmo, neste instante. Os ponteiros só estarão neste mesmo lugar que agora, amanhã....e não será mais o mesmo dia, da mesma maneira. Então, realize agora o que o seu tempo de agora lhe oferece e experimente nunca mais ter do que se lamentar, nem o tempo passado e nem as ansiedades do tempo que virá. Amanhã é outro dia, outro tempo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

AH, AS CARTAS!

Foto: autor desconhecido

As letras invadiam o papel com receio, todas bem pensadas antes de serem escritas. Palavras que tomavam o coração antes de tomarem as linhas pautadas de um caderno ou papel de carta. O sentimento traduzido no contorno das letras, ora tão delicadas e arredondadas, ora tremidas e nervosas. Era possível sentir a respiração com as pausas dos pontos, das vírgulas, da distância entre uma palavra e outra. Os contornos do amor traziam às letras um rebuscado diferente, traços românticos. O nervosismo de uma despedida tomava as letras arrastadas, como se não quisessem ser escritas, tão menos lidas. As manchas nos dedos mindinhos dos canhotos. A pegada na ponta da caneta ou no alto, como quisesse ser. Papéis coloridos, brancos, pautados ou não. As letras que tendiam para a direita, outras pra esquerda. Letras que escalavam e outras que desciam a serra. Temperamentos, sentimentos que eram traduzidos em detalhes simples e ao mesmo tempo tão reveladores. O envelope que embrulhava as histórias, as emoções, revela os mistérios. Lacrado com cuidado para que ninguém mais pudesse ler ou que não se perdesse no caminho. O caminho das palavras eram mais longos que as ditas atrás dos lábios ao pé do ouvido mas nem sempre menos emocionantes que estas. A imaginação que tomava conta da gente, imaginando o rosto de quem iria nos ler. O medo da má interpretação, a ansiedade das respostas. A cola, o selo, o papel, a caneta, a gente mesmo. Impossível não ser nós mesmos com tanta intimidade. A carta era a tradução da gente e ao mesmo tempo uma lapidação de nós mesmos. Enquanto escrevemos pensamos, refletimos sobre quem somos e sentimos. Nos tornamos melhores ao tentar contornar a letra com mais cuidado. Nos tornamos mais próximos quando nos permitimos revelar pelas curvas da caneta no papel. Somos também melhores quando aprendemos a esperar pelas respostas e cuidar daquelas que que damos aos que nos esperam. Ah, as palavras e as cartas. A expectativa, a surpresa ao abrir a caixinha de carta e encontrar os papéis com tudo aquilo que esperamos receber ou não. O abrir do papel, os óculos que uns ou outros têm que colocar nos olhos para melhor apreciar a leitura. As letras rabiscadas que temos que traduzir enquanto aprendemos a traduzir o outro e tudo aquilo que tem a nos dizer. As cartas melhoram os relacionamentos, encurtam distâncias, demonstram carinho. Talvez por isto as relações estejam hoje tão mais superficiais, tão menos reveladoras e verdadeiras. Quem dera o email fosse realmente a evolução de uma carta, mas não é. Involuímos com eles, pra dentro da gente mesmo e tão distante daqueles que queríamos mais perto.



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

PLANO BRASIL SEM CORRUPÇÃO


Sim, nós temos planos para 2012. Planos urgentes que se pudesse, executava ainda hoje, agora, neste instante. Tenho planos de um país mais justo, de um país mais honesto, com pessoas comprometidas com o próximo e os não tão próximos assim. Tenho planos que vão além de combate a miséria como o governo insiste em lançar como a grande vedete do momento. Não, meus planos vão além e são possíveis de combater muito mais que a miséria do país, mas a desigualdade, desonestidade, roubalheira, arrogância, ganância e tantas outras coisas que assolam o nosso país e embatam o seu crescimento. Meu plano para 2012 é o Plano Brasil Sem Corrupção, pois onde não há corrupção não há espaço para tudo isto que citei acima e tantas outras coisas como a injustiça, a omissão, o descaso político, o enriquecimento às custas do próximo. Num Brasil Sem Corrupção não há espaço para a miséria, porque sem corrupção os investimentos públicos serão destribuídos com igualdade, aplicados conforme a lei e a justiça e as desigualdades sociais são minimizadas a ponto de conseguirmos a tão sonhada extinção da miséria humana. Por que, fala sério? Miséria é ter tanta corrupção num país tão cheio de riquezas e possibilidades para todos. Miséria é ser tão ganancioso e cair na luxúria dos carros importados e cuecas recheadas de dinheiro. Miséria é muito mais que a fome, a falta de saneamento básico, de infra estrutura, de educação...miséria mesmo é a dor que a gente sente na alma sabendo que tudo isto acontece porque o dinheiro que estava pronto pra ser aplicado corretamente foi desviado para os cofres internacionais e mansões dos políticos desonestos e, corruptos. Miséria é existir corrupção. Brasil Sem Miséria acontecerá quando os políticos souberem ser políticos como a sua origem diz que deve ser. Brasil Sem Miséria é autoridade exercida com sabedoria e compaixão, com líderes que saibam ser líderes sem se colocar acima dos outros e quando todos estiverem dispostos a lavar os pés uns dos outros, curando feridas tão difíceis de cicatrizar. Meu Plano Brasil Sem Corrupção precisa de adeptos, gente de boa vontade e coragem pra dizer que chega, basta, não aceita mais um país deste jeito. Gente que pensa como eu e não só pensa, mas que reage e manifesta como deve ser. Gente que não tem pretensão política ou partidária, mas que tem o compromisso humano e cristão com o próximo, com a justiça, com a igualdade, com a honestidade. Gente que não se vende por pouco e nem se ilude com discursos e planos mais ou menos, gente de ação. O Brasil Sem Corrupção deixa de ser plano quando fazemos dele uma atitude. Participe, divulgue, curta, envolva você e as pessoas ao seu redor. Quem sabe ao menos este plano sai do papel e vira realidade na vida da gente, tomara já em 2012.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

REVER OS PASSOS



Andar depressa é ter medo de rever os passos. Andar depressa é não querer olhar pra trás e perceber que a qualquer momento se pode empacar num detalhe ou outro do caminho. Andar depressa é sentir que se tropeçar a velocidade te fará cair mais à frente, jamais pra trás. O medo de recuar, de rever o passo é o medo de enfrentar a si mesmo tudo o que a sua história lhe traz de bom ou ruim, não importa. Andar depressa é não querer observar as coisas ao redor. Sentir que qualquer parada para tomar o fôlego pode sim ser uma perda de tempo e não é. Andar depressa é temer o meio do caminho e querer chegar rápido ainda que não se saiba pra onde está indo. Aliás, quem anda depressa muitas vezes não sabe onde vai chegar. Anda depressa quem não observa a si mesmo, quem tem medo de perder o controle, o destino, o sentido das coisas. Anda depressa pra não ser interrompido, pra não olhar para as pessoas. Anda depressa quem é empurrado pela ansiedade. E é ansioso aquele que tem medo de onde vai chegar. É preciso seguir em frente tanto quanto é preciso rever os passos. Os passos dados, em falso ou não, ditam o nosso tipo de pisada e se olharmos pra eles com atenção podemos evitar novas quedas e tropeços pelos mesmos velhos motivos de antes. É preciso vez ou outra dar uma olhada pra trás pra não esquecer de onde viemos. Isto facilita a nossa certeza de onde iremos chegar. Não, não empaque olhando para os passos dados. Não, não tema o caminho pelas quedas que já teve antes. Siga em frente, mas sem medo e confiante. O cuidado nada tem a ver com o medo ou a imobilidade. Se estiver difícil, peça ajuda, encontre um parceiro pra seguir com você. Faça amigos, aprecie o caminho. Desacelere o passo, ande um pouco mais devagar. Mas ande, sinta, perceba e viva a caminhada. O melhor que o futuro lhe reserva pode estar aqui, bem no meio do caminho.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

É ASSIM MESMO

Foto: autor desconhecido
Alegria é mesmo assim. Quando o sorriso vem num momento de dor ou pobreza, parece sintoma de bobagem ou loucura. Quando vem de forma exagerada, parece sem noção e histeria. A alegria é mesmo assim, invade a alma da gente de uma forma sem sentido e incontrolável. Nos deixa felizes ainda que tantas coisas estejam ou pareçam tão tristes ao nosso redor. A alegria brota o sorriso no rosto da gente e transforma tudo ao redor ou pelo menos no nosso interior. A alegria as vezes nos rouba a tristeza e a mágoa, nos tira da solidão e tantas vezes é uma alegria que vem da alegria do outro, não das nossas motivações pessoais. São felizes os que se alegram com as alegrias alheias. Pouca gente tem esta capacidade de se alegrar com os motivos que não são seus. Alegria com a conquista do outro, o carro novo, o filho que nasceu ou foi recebido num gesto de adoção. Uma mesma história pode ser vista como triste ou alegre de acordo com a quantidade de alegria que há dentro da gente. Quem é alegre, vê alegria em todas as coisas e alegria é coisa que pega, vira epidemia quando a gente menos espera. Alegria é assim mesmo, parece bobagem. Tantas outras, se confunde com loucura. Mas alegria não vê dinheiro no banco e nem no bolso, não depende da saúde e nem das paredes da casa onde você reside. A alegria muitas vezes nos surpreende morando em casas simples, comendo o básico e alimentando o sorriso no rosto de quem não tem quase nada, mas tem a alegria como o seu tudo. A alegria é assim. É louca, é boba, mas é completamente afim de invadir a vida da gente. É só deixar entrar e não tenha medo de ser confundido ou de surpreender as pessoas, a alegria não apenas faz isto como as transforma e as invade também.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

AS PALAVRAS




As palavras têm o poder de realizar travessias. Elas são pontes que nos levam a atravessar abismos que nos afastam dos outros, que nos impede de seguir em frente. As palavras têm o poder de realizar em nós a coragem que tantas vezes nos falta. As travessias para a alma do outro, para a dor do outro. As palavras possibilitam uma compreensão que muitas vezes sem ela não conseguimos ter. As palavras aconchegam a alma. As palavras aquietam, libertam. As palavras bem ditas sempre realizam em nós e no outro a beleza das possibilidades. Quando falta esperança, uma palavra bem dita, na hora certa, é capaz de encorajar corações temerosos e dar a chance de seguir adiante com a certeza de que algo de bom ainda está pra acontecer. As palavras tanto podem ser bem ditas como malditas. Tudo depende do contexto e da forma com que ela será falada. O silêncio, muitas vezes, também traz as palavras que não sabemos dizer. Mas em tantas outras, as palavras ditas com clareza e segurança, são capazes de realizar ainda mais. Não estamos no mundo para engrossar a fila daqueles que disseminam as palavras mal ditas. Ao contrário, devemos dizer palavras tão bem ditas que abrem os horizontes, que clareiam a visão, que possibilitam novas situações. As palavras nos dá a chance de recomeços. Uma nova vida começa depois de uma palavra dita com cuidado. Um amor revelado em palavras, uma coragem dita em duas delas. O apoio necessário que uma palavra pode dar. As palavras têm o poder de realizar em nós e no outro, aquilo que a solidão muitas vezes não é capaz de realizar. As palavras que falam o amor, as palavras que falam a verdade, as palavras honestas que revelam você mesmo. Estas palavras que abraçam a gente, estas palavras que acolhem nossas lágrimas, as palavras que nos envolve e nos aquieta. A palavra que nos fortalece. Ah, as palavras. Como soam bem os ouvidos quando bem faladas. Gosto de ouvir as palavras daquele que sabe bem o que diz. As palavras que nos apresentam um mundo novo, que faz viajar por dentro de nós mesmos e nos transbordar com um amor que só uma palavra pode trazer. Palavras são pontes, passemos por ela de uma maneira sábia. Atravessemos as pontes das palavras com o propósito de alcançar o outro e de dar-lhe o abraço que lhe é tão necessário. As palavras, sempre as palavras. Entre elas e o silêncio a sabedoria de dizer a coisa certa, na hora certa. As palavras têm poderes, saibamos utilizá-los para edificar o outro e torná-lo ainda melhor. Seremos melhor com eles se usarmos bem as palavras que podemos dizer. Bem ditas sejam as palavras.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

SEM EXCESSOS

Foto: autor desconhecido

Me esvazio das velharias que fui juntando pelo caminho. Quinquilharias, besteiras, bobagens e mais um monte de coisa inútil que em algum momento pareceu útil e nem foi. Me esvazio dos maus pensamentos, daqueles que atravessaram meu caminho e tornaram escura a minha mente, cinza os meus dias que eram tão coloridos. Aqueles mesmos pensamentos que me deixavam inquieta, irriquieta, impaciente e imprecisa. Me esvazio dos sentimentos que carreguei como troféu ou justificativas vãs para os meus medos, receios e covardias gerais. Não quero mais tê-los como muletas ou amuletos que justifiquem quem sou. Não sou nenhum deles ou coisa parecida. Sei quem sou. Me esvazio dos arranhões pelo corpo, resultado de tropeços e quedas, fracassos temporários que vez ou outra a gente precisa enfrentar. Não vencemos sempre e ainda bem que não. Me esvazio de vaidades sem sentido, de achar que sei  tantas coisas quando na realidade eu ainda tenho muito a aprender. Me esvazio de inseguranças indevidas, desnecessárias. De traumas carregados com cuidado ao longo deste tempo todo que é a minha vida. Deixo cair e se quebram, um a um. Junto os cacos e jogo no lixo, seguindo adiante sem o rastro de nenhum deles, mais leve com toda certeza. Me esvazio de obrigações e torno a minha vida muito mais interessante quando as troco pelo prazer de realizar as coisas. Não faço apenas coisas das quais eu gosto, mas procuro fazer tudo aquilo que gosto de fazer. Eis o segredo. Me esvazio de máscaras que me impediam de ver quem sou e muito mais de ser vista como sou pelos outros que passam por mim. Deixo para trás, cada uma delas e me visto de mim mesma para o mundo que pretendo conquistar. Me esvazio de entulhos, bibelôs, quaisquer coisas sem sentido neste momento pelo qual eu passo agora. Quero estar vazia de tudo o que carreguei sem motivo, sem princípio, sem valor. Quero estar vazia de tudo aquilo que pesava meus ombros e minhas costas. Me esvazio de tudo o que entortava a minha coluna, trazia dores musculares e mais nada que valesse realmente a pena. Me esvazio de tudo aquilo que não me revela, mas esconde. Vazia, estou pronta para me preencher de tudo aquilo que virá. Vazia, me torno leve o suficiente para que Deus possa trabalhar em mim e preencher com tudo aquilo que planejou. Vazia, conheço melhor os meus espaços e sei o quanto valem a pena para serem preenchidos com bobagem. Vazia, me torno seletiva, preparada e sei que em mim só cabe aquilo que me faz crescer, que me torna ainda melhor. Estou vazia e pronta, agora.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PONTES

Foto: autor desconhecido
Abismos que nos impedem de ir adiante. O abismo do medo que nos impede de dar o próximo passo. O abismo da solidão que nos deixa isolados do convívio com o outro. O abismo das dificuldades do dia a dia, das tribulações que enfrentamos numa curva ou outra da nossa estrada. Pontes que não foram feitas ou foram quebradas nos impedindo a passagem para uma nova fase, uma nova etapa. Pontes, como são necessárias tantas e tantas vezes. Nem falo das pontes físicas porque estas vemos a sua importância, tão visível e palpável nos nossos caminhos. Falo de pontes que podemos estabelecer na nossa vida e na vida dos outros. Pontes de amor que curam as feridas dos afetos, que fazem-nos transpor aos traumas, solidão. Pontes de apoio que o faz seguir lado a lado com aqueles que enfrentam dificuldades para caminhar sozinhos. Pontes de perdão que fecham as frestas abertas numa amizade e deixam o terreno propício para o caminhar de mãos dadas e com segurança. As pontes que estabelecemos para chegar até o outro são maiores e mais poderosas que as maiores pontes feitas pela construção civil. Só as pontes que estabelecemos podem transformar toda uma história e toda uma trajetória. Os abismos que criamos e não vemos. O abismo do outro que a gente não vê e não percebe na maioria das vezes. Os abismos da alma, abismos emocionais e espirituais. Estes imensos abismos que só precisam de uma ponte para serem curados. Pontes que não precisam de técnicos e nem profissionais qualificados, pontes que precisam de amor. Um amor ao próximo, um amor ao outro, um amor a si mesmo, um amor a Deus. Só o amor é capaz de estabelecer pontes firmes e capazes de transpor as barreiras que nos impede de seguir adiante. Sejamos pontes, façamos pontes uns pelos outros. Não podemos parar nos desafios dos abismos, mas temos que ter a coragem de estabelecer as pontes necessárias para atravessar. Pontes, não medo ou covardia. Pontes, não isolamento. Esteja preparado para se fazer ponte e deixar que os outros façam ponte na sua vida, só assim fica mais fácil atravessar para a felicidade que você tanto deseja.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

LEVEZA, BEM VINDA!

Foto: Valter Patrial
Esta leveza que almejo vai além da leveza de uma tranquilidade momentânea. Esta leveza de que falo é muito além da leveza dos quilos a menos, das preocupações que vão embora. É uma leveza muito maior que todas estas que nos vêm a mente quando pensamos em ser leve. A leveza de que falo, esta que busco insensantemente, esta que desejo muito mais do que tudo e todas as coisas é uma leveza que me torna capaz de realizar e acreditar em impossíveis. Uma leveza como a garça que é capaz de andar sobre as águas. Uma leveza que é capaz de sorrir em meio as maiores tristezas que a vida pode nos apresentar. Uma leveza que é capaz de causar espanto na grande maioria das pessoas, leveza que me leva contra as correntes da maré deste mundo e que ainda que eu esteja na contramão da maioria não me faz cansar. Esta leveza de que a maioria desconhece e uma minoria me apresenta. Quero ser parte desta maioria leve, que confia plenamente na resolução das dificuldades, na superação dos limites e nos impossíveis que são capazes de acontecer aos nossos olhos. Quero a leveza que me leva para tantos lugares bacanas que pesada, não consigo ir. Uma leveza que afasta os maus pensamentos e as más linguas. E se não as afasta, me torna completamente capaz de não me importar com elas. Quero a leveza destes poucos, não porque mereço mas porque desejo. Não porque sou melhor, mas porque quero ser melhor a cada dia. Não pra mim, mas para que sendo leve eu possa representar leveza na vida daqueles que carregam fardos pesados no dia a dia. E leve que sou, possa amenizar o peso que carregam. Ah, a leveza. Esta como das bailarinas, mas tão leves que as tornam como anjos. Esta leveza humana que é ao mesmo tempo tão divina. Quero esta leveza. Não sei como irei alcançar, mas acredito que estou a caminho dela. Para ser leve, o primeiro passo é querer. Leveza, eu te quero e te busco e quero te dar espaço em mim. Bem vinda!

terça-feira, 21 de junho de 2011

POR MIM MESMA

Foto: autor desconhecido
Ninguém é um pacotinho de presente para trazer a alegria para a vida do outro. Fazer o outro feliz não é causa da minha existência, nem da sua e nem de nenhuma outra pessoa. Tenho certeza que não. Deus, quando pensou em me trazer ao mundo, não pensou só na alegria da minha mãe, do meu pai, irmãos e de quem fosse passar pelo meu caminho e eu pelo dele. Antes, pensou em me realizar como pessoa e me dar possibilidades de realizar aquilo que Ele planejou para a minha vida. E os planos que fez, são meus, para mim, não pra mais ninguém. É que muitas vezes na vida nos esquecemos disto e vivemos acreditando que temos que abrir mão do que somos, dos nossos sonhos e felicidade para realizar a felicidade do outro. Nos sentimos responsáveis em fazê-los crescer e amadurecer. Queremos poupar aqueles que amamos do sofrimento em relação à vida, acreditamos sermos capazes de fazê-los enfrentar os problemas quando, na realidade, cada um é o único capaz e responsável por passar e enfrentar aquilo que lhe é necessário. Bem ou mal, todos nós somos capazes de passar por todos os obstáculos que vieram à nossa frente. Não digo que tenhamos que ser egoístas ou que estamos fadados a caminhar só. Mas a companhia do outro, a compreensão e auxílio, não podem vir como obrigação ou responsabilidade, mas pelo simples fato de ambos quererem crescer e amadurecer juntos diante das dificuldades e da superação que for exigida ter. Isto é maturidade, saber qual é o nosso papel e qual é o papel do outro que está ao nosso lado e vigiar para que não misturemos os personagens e façamos uma bagunça na cena da vida. Descobri que felicidade, esta que todo mundo procura, começa quando nos permitimos ser quem somos. Mais que isto, a felicidade acontece quando aprendemos a ser o que somos e fazemos isto sem preconceitos, vergonhas ou timidez. A ousadia de ser quem é, de cavar os próprios caminhos e de realizar aquilo que a vida lhe propôs é o que abre as portas para que a felicidade entre e venha acontecer dentro da gente. Não dá pra ser feliz sendo o coadjuvante, ajudando o protagonista da história a exercer o seu papel. É preciso acontecer com ele. Nós mesmos somos os responsáveis pela nossa felicidade, mais ninguém. O mesmo para as infelicidades que não são os outros que nos causam, por mais que nos magoem ou nos marquem negativamente na vida. Não. A felicidade ou a tristeza, e todas as outras coisas são frutos das escolhas que nós mesmos fazemos ao longo da vida. Por isto, esteja atento aquilo que escolhe ser ou fazer hoje. As escolhas definem os caminhos e sentimentos que irão brotar ou morrer dentro de você. Não permita ser invadido pelo outro e nem se permita esvair de si mesmo para entrar na vida do outro. Centralize em você mesmo suas energias e pensamentos e quando sua vida esbarrar na de alguém que precisa de ajuda, ajude se aquilo lhe fizer amadurecer ainda mais. Faça até onde lhe são permitidos os limites e não os ultrapasse. Acima de tudo, não abra mão de ser você mesmo em tudo e de ser feliz o máximo que puder. Foi para isto que você foi feito, é para isto que o mundo lhe dá centenas de possibilidades. Escolha as melhores, enfrenta as piores se necessário for, mas permita-se a felicidade que tem pouco tempo pra acontecer, mas é a única razão pela qual vale a pena viver.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ESPERAR É PRECISO, CONFIAR TAMBÉM

Foto: Gettyimages
Tenho inúmeros limites nos quais me esbarro todos os dias. São as minhas fragilidades, as dificuldades que encontro em ser eu mesma, viver o que vivo e aceitar o que me acontece. Todos nós temos, uns mais fáceis de admitir que outros. Destes tantos limites com os quais me esbarro todos os dias, está a dificuldade de esperar.  Não consigo esperar de forma tranquila quase nenhuma coisa. Não saio desesperada, roendo unhas, mordendo cotovelo e chutando o balde por aí por causa disto. Mas não me sinto confortável no papel de quem espera. Herdei da minha mãe, tenho certeza. Mas não pretendo levar esta herança pela vida toda. Não quero deixar este meu limite para os meus, vamos passar coisas boas porque esperar é preciso e a gente tem que aprender com isto. Pois bem, tô aqui no banco de espera como todo dia acontece com todo mundo. Não falo de banco de consultórios embora estes também sejam um tédio de aguentar. Estou falando do banco da espera da vida cotidiana, quando esperamos respostas, resoluções e retornos. Quando a gente já fez de tudo o que pode, tudo o que nos foi possível e só nos resta esta palavrinha mágica, esperar. Esperar o telefone tocar, esperar a hora de ligar de novo. Esperar as boas notícias, esperar as ruins também. Esperar que tudo fique bem e se resolva. Esperar a hora certa de falar, a hora certa de calar. Esperar, dando tempo ao tempo. Esperar em Deus. Ah, que pecado, mas tenho uma imensa dificuldade de também esperar por Ele e talvez este seja o limite que mais me impede de ser a cristã que quero ser. Esperar é preciso, porque nada na vida está totalmente nas nossas mãos. E o tempo do outro não é o nosso tempo e o tempo de Deus não é tempo de nenhum de nós. Ou seja, relógios nunca têm o mesmo horário e as coisas acontecem quando têm que ser e pronto. É preciso esperar. Tédio, ansiedade, inquietação, medo. Pacotinho que vem junto quando esperar se torna tarefa difícil de executar. Mas aí, é preciso saber driblar tudo isto com uma outra palavra que temos que ter em prática, pra não perder o jogo de cintura necessário: confiança. Esperar exige confiança em si mesmo e no outro, acima de tudo, confiança em Deus. Quem confia, espera sempre o melhor. E ainda que não seja tão melhor assim, continua confiando que é possível superar e fazer tudo dar certo lá na frente.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

AMIGOS, É ISSO!

Foto: autor desconhecido
Minha percepção de amizade é diferenciada da maioria das pessoas. Errada eu, ou todos os outros, cabe a todo mundo dizer ou opinar. Eu, ainda prefiro continuar com a minha tese de que amizade de verdade não se mede por tempo, distância, presença física, convivência. A tudo isto podemos dar outros nomes, como família, colega de trabalho ou de sala de aula, não amigo. Amigo, pra mim, é aquele que no meio do nada te liga para saber como você está. Amigo é aquele que não consegue se conter quando uma coisa boa acontece na sua vida e sai logo correndo para te contar e dividir a alegria. No espaço da amizade não cabe ciúmes, inveja, egoísmo, autosuficiência. Amizade é uma constante soma de um monte de coisa boa e uma divisão de momentos não tão bons assim, mas possíveis de se tornar especiais graças à amizade. Amigo não é quem te convida para a festa ou aquele que te chama para segurar as pontas quando ele precisa. O amigo segura as suas pontas ainda que você não peça a sua ajuda porque te conhece só pelo olhar. O amigo de verdade é aquele que te compreende ainda que tenha um ponto de vista totalmente diferente do seu. Olha nos seus olhos e te diz verdades com a máxima sinceridade que alguém pode ter, mas com tamanho amor que a dor que a gente sente em se deparar com as próprias falhas não causa estrago e nos faz seguir adiante, sermos ainda melhores. Amizade de verdade é diferente daquilo que encontramos em qualquer esquina. Entre amigos não cabe preconceitos, separações. Ainda que completamente distante, estão sempre em sintonia um com o outro. Amigos são aqueles que você tem a certeza que poderá ligar no meio da  noite e ele saberá que você o fez porque precisava de verdade da escuta dele ou da ajuda, se necessário for. Minha percepção de amizade pode parecer utópica, inantigível, mas é assim mesmo. Porque amigos são tão raros que pouco se sabe hoje em dia a respeito da amizade e muito se confunde com coleguismo, vampirismo ou qualquer outra coisa. Amigo não é muleta das dores do outro, mas o ombro que auxilia a caminhar. Não é alguém em quem você se encosta, mas com quem você caminha junto de mãos dadas. Amigo não é só risos e baladas é também momentos de angústia e perdão. Não é aquele que nunca te corrigiu e te acha perfeito, mas aquele que olha nos seus olhos e aponta as suas fragilidade com total amor e ainda te oferece formas e saídas para se tornar ainda mais forte. Amigos são estes, raros e poucos, com quem a gente tem o prazer de esbarrar na vida. Tantos passam por ela sem saber o que é amizade. Amigos são estes, de infância, de colégio, de faculdade ou de trabalho. Não importa onde você esbarrou com ele ou quanto tempo isto faz. O que importa é que desde de que se encontraram pela primeira vez houve tamanha empatia e cumplicidade que a alegria do outro se tornou a sua, a tristeza se tornou motivo de suas orações e é a primeira pessoa em quem você pensa quando quer dividir os momentos mais marcantes da sua vida. Amigos, é assim que os percebo e assim que os quero ter.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

TENHO FARO

Foto: autor desconhecido

Gosto de explorar o mundo, o canto das coisas. Gosto das entrelinhas que dizem mais que as palavras que compõem o texto. Sei que o autor revela muito mais naquilo que não diz, nós mesmos agimos assim na maioria das vezes. Farejo o silêncio e sei que nele existem mais palavras que uma discussão pode dizer. Debaixo do tapete, encontro coisas que as pessoas nem sempre têm coragem de revelar. Eu mesmma escondo coisas debaixo dele vez ou outra, quando bate a covardia de resolver os problemas na hora certa. Disconfio que o mesmo acontece com você. Gosto de remexer gavetas, não aquelas do passado porque elas eu já sei que passaram no tempo e estão cheias de mofo, sou alérgica. Gosto é de revirar aquilo que é de ontem, que é pra não deixar que hoje fique tudo meio bagunçado e que amanhã eu não consiga administrar o caos que virou aquilo que era simples. Meu faro é melhor que o de muita gente, mas não é infalível. As vezes engano nos cheiros a aromas que a vida me dá. Farejo confiança onde as coisas não estão lá muito confiáveis. Me engano com situações e circunstâncias, tropeço e caio quando farejo que o solo é seguro e não percebo o buraco. Sou humana com faro canino. Vezes faro de pastor e outras de um shitzu com nariz enterrado na cara. Horrível. Mas me distraio e rio de mim mesma. Afinal de contas, não me estrepo tanto. Quando farejo que tudo parece impossível, algo vem e me mostra que é possível transformar em realidade aquilo que a gente sonha. O que não dá é passar pela vida sem farejas as pessoas, sem farejas os detalhes. Sei que muito mais me conta os cantos da casa que os meios. Os silêncios me falam mais que as palavras. O que escrevo revela mais do que eu digo. Pra mim, viver é assim. Acho que pra todo mundo é igual. Uns mais apurados, outros menos. O faro da gente é dos outros também é capaz de mudar a cada dia. Mas o que não podemos é desistir de farejar a felicidade e a melhor maneira de fazê-la acontecer. Farejar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CLIENTE DO DESTINO, NÃO

Foto: Autor desconhecido

Não quero ser cliente do destino. Perder a validade, fazer parte da perecidade. Não quero ser cliente desta gente inconsequência, demente e pouco inteligente. Gente que só pensa em gastar a grana, jogar no lixo e descartar o velho. Não quero ser cliente deste destino fabricado por gente apressada, com mania de acumular comida e coisas, pensamentos e idéias, sem pouco usar nada. Não quero ser cliente da futilidade, dos modismos, das sazonalidades. Não sou fruta de época, nem mulher melancia e nem a gostosa do funk. Eu não tenho gosto e nem desgosto, não sou pra qualquer um. Não quero ser cliente nas mãos de gente incoveniente, que cospe os caroços no chão, que joga fora do lixo a casca da banana e ainda dá risada quando ainda tropeça e cai. Não faço parte deste mercado louco, com cada vez maior número de pessoas, esbarrando umas nas outras, trocando sacolas de plástico ou papelão, suando bicas e brigando por um trocado a menos.  Não quero ser cliente do destino porque não caio nas mãos  de quem não sabe o que quer ou gosta, dos que não têm mais paladar, tão pouco se preocupam com a qualidade ou a saúde. Não quero fazer parte deste jogo, desta vaidade desmedida e mal trabalhada, dos esterótipos com pouco conteúdo, das frutas lisas e brilhantes lotadas de agrotóxicos. Prefiro tudo ao natural, do jeito que tiver que ser. Um pouco amassada, menor que algumas outras, mas suculenta e apetitosa como só a naturalidade consegue ser. Não quero ser cliente do destino porque não sei onde este irá parar. Prefiro ficar aqui, no canto deste mercadinho, distante dos balcões mais procurados, assistindo a tudo de camarote. Dor de barriga, fricote, botox. Sei bem onde isto vai levar. Não sou cliente do destino, sei onde quero chegar e que pra lá, ele não vai me levar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

QUANDO CRESCER...

Foto: Victor de Almeida

Quando crescer, serei aquilo que vejo nos outros. Serei muito do que vejo dos meus pais. Observo como eles agem e reagem às circunstâncias. Vejo seus conflitos e como os enfrentam. Conheço o caráter através da honestidade ou desonestidade dos adultos ao meu redor. Eles são minha referência. Serei como o vencedor deste duelo, aquilo que prevalecer, o certo ou o errado, assim serei. Sou criança e me inspiro naquilo que vejo as pessoas que amam fazerem. Se os vejo beber, acredito que é bom. Se bebem e depois dirigem, penso que não é nada demais e assim um dia eu também o farei. Quando convivo com gritarias entre meus pais, percebo que a relação entre homens e mulheres é sempre conflituosa e baseada no tom de voz. Quanto mais alto o grito, mais poder o tenho, penso. Se vejo meu pai murmurando do trabalho ou sendo desonesto no trato comercial, penso que trabalho é levar vantagem em cima dos outros. Quando me presenteiam no lugar de me dar afeto, acredito que os presentes compram o amor e que não é preciso demonstrá-lo. Terei dificuldades em lidar com as pessoas se a intolerância fizer parte da minha infância. Se ouvir palavras de preconceito por toda a minha vida, não saberei conviver com as diferenças raciais e físicas entre as pessoas. Preciso conviver com as diversas classes sociais enquanto criança para que quando adulta, eu possa não apenas conviver como ajudar os mais miseráveis. Se me ensinam a doar brinquedos velhos quando ganho novos, aprendo que acumular é disperdício e que ser feliz é ser capaz de estender ao outro aquilo que ele não é capaz de ter sozinho. Quando crescer, quero ser uma adulta melhor do que muitos que vejo. Mas se vejo muitos adultos ruins, me faltam referências para buscar aquilo que é melhor. Quero ser uma pessoa bacana, alguém capaz de doar amor em gestos e palavras. Fazer o bem àqueles que precisam. Ter confiança em mim mesmo para alcançar os meus objetivos. Ter uma boa auto-estima, porque fui amada enquanto pequena e souberam valorizar aquilo que tive de melhor, me encorajando a aceitar as minhas fraquezas. Sei que posso ser uma adulta mais bacana do que os adultos que vejo, só preciso que alguém já adulto me mostre como sê-lo de uma maneira sincera e honesta. Mas enquanto isto, o tempo passa e estou crescendo. Não dá pra esperar ser melhor quando se tem uma criança por perto. Há de sê-lo hoje e urgente. Tenho medo de amanhã amanhecer uma adulta e não gostar do que vejo no espelho. Ter que enfrentar divãs ou ainda, cometer muitos erros e mágoas com quem não os merecia. Ter medo de fracassos, não tolerar meus limites, ter dificuldades com afeto e não acreditar em mim mesmo e nem nos outros. Quando crescer quero ser alguém diferente, alguém de fato especial. Peço então a sua ajuda, querido adulto.É urgente, é agora. Não pense que sou apenas uma criança quando amanhã serei uma adulta como você. Pegue na minha mão e me ajude a ser como mereço e como o mundo merece e precisa. Dê uma adulta bacana de presente emprestando a mim o seu melhor, suas melhores referências. E tenho certeza, não somente eu, mas o mundo será transformado através do seu gesto.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

O GRÃO QUE SOU

Foto: Tadeu Vilani
Sou como estes grãos nas mãos de um lavrador. Pequena, aparentemente tão iguais a todas as outras. Tenho minhas particularidades, eu sei. Um formato diferenciado, curvas a mais e outras a menos. Uma capacidade de germinar diferente das outras. Germino com facilidade quando me adubam com coragem e entusiasmo. Preciso que acreditem em mim. Preciso de solo fértil e de um pouquinho de água e adubo que é pra me ajudar a crescer. Sou como grãos, nas mãos de um lavrador. Tenho minha  particularidades que poderão ser úteis ou não, conforme como ele me usar. Posso me esforçar eu sei, devo fazer a minha parte. Não estou colocando nas mãos do lavrador a responsabilidade de que eu gere frutos, mas apenas entendo a minha pequenez e fragilidade diante da vida e de tudo o que ela me impõe. Tenho uma vontade imensa de germinar. Sair do estado de grão, sem me esquecer dele. Lembrar sempre do grão que fui mas admirar a árvore que sou capaz de ser. Os frutos que eu posso dar são únicos e incomparáveis, capazes de alimentar uma variedade imensa de pessoas e seres por onde quer eu vão. Sou um grão, mas quero ser mais. Tenho vontade de germinar em solo fértil e colocar nele meus frutos e tudo aquilo de melhor que posso ser. O que eu faço pra dar certo é me colocar nas mãos do lavrador mais experiente e capacitado. Aquele que acredita no meu potencial, me semeia com atenção e otimismo e permanece ao meu lado esperando os primeiros brotos, os primeiros frutos. Se caio em mãos erradas, todo o meu potencial não é capaz de acontecer. Mas nas mãos do maior de todos os lavradores sou o que tem de mais rico e belo que posso ser. Todos os dias, dentro deste saco cheio de grãos iguais a mim, me escondo das mãos dos maus lavradores e me coloco nas mãos daquele que melhor sabe plantar. Ouço falar de tudo o que ele tem feito do lado de fora, nas mais diversas plantações. Quero ser como aquelas árvores frondosas que por estas mãos passaram. Me jogo nas mãos do lavrador e, eu e Ele, faremos o melhor que pudermos para que os mais preciosos frutos eu possa dar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

AMOR NÃO É ISTO

Foto: Roseliane de Pace

Amor não é isto. Amor é outra coisa. Aquela sensação que você tem no peito quando olha para alguém que nunca viu antes e se apaixona por sua história. Amor é emocionar com a vida do outro, tristezas e alegrias. É quando você escuta a vitória de alguém, ou acompanha a vitória de alguém, como se esta vitória fosse sua, realmente sua. Amor é olhar com misericórdia para o outro e não com piedade. É estender as mãos para quem as vezes nem se sabe o nome ou para aquele que você bem o sabe, mas que já te magoou no meio do caminho. Amor é admirar o outro com sinceridade. Amor é o sentimento que inunda a gente, se transborda em lágrimas e faz o nosso coração bater mais forte como se batesse por nós e pelo outro que a gente ama. Amor não é isto que você pensa que é. Amor é outra coisa. Amor é estar ao lado de alguém ainda que fisicamente longe. É celebrar a vida do outro, é compartilhar os momentos felizes ainda que neles não esteja presente. Amor não tem distância e nem hora pra começar. Amor não tem sexo e nem idade. Amor não tem sobrenome e nem residência fixa. A gente ama quem a gente não conhece ou, pelo menos, é capaz de amar. Amar uma criança de rua que é capaz de sorrir para você apesar da fome que dói no estômago. Amar um idoso que humildemente caminha pelas ruas levando suas sacolas. Ou que acompanha o outro na igreja, de mãos dadas, num casal de mais de meia década de união. Somos capazes de amar intensamente, desconhecidos e conhecidos, pessoas e histórias. O amor é um potencial maior que imaginamos, maior que sexo, maior que status social, maior que matrimônio ou qualquer outra a coisa que a gente pense que é amor. Amor não é isto que a gente na maioria das vezes pensa que é. Aliás, passamos muito da nossa vida acreditando ser amor o que era apenas amizade, piedade, ciúme ou insegurança. Amor não. Amor é muito mais que isto. É o que nos leva a acreditar no ser humano. Amor é o que nos motiva a sermos cada vez melhores. É o que nos faz sentirmos amados. É o combustível que a gente precisa pra viver e seguir em frente. Amor é a maior busca do ser humano. Nada, nenhuma outra coisa, é mais forte do que o amor. É ele quem sensibiliza para a fé. É ele quem gera o perdão. É o amor quem nos dá a paciência necessária para compreender o outro e aceitar os limites que o outro tem. Amor é o que nos faz gostar de nós mesmos sem excessos ou vaidades. Amor é isto, não aquilo. E quanto mais eu acho que amo mais eu tenho a capacidade de amar. Amor é inesgotável. Amor é esta coisa que a gente sente no peito, que inunda vida da gente e não tem mais nenhuma outra explicação, senão amar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

COISAS DA CABEÇA...

Foto: Carlos Torres

Não conseguia parar de imaginar. A imaginação era a sua melhor companhia. Acordou cheia de idéias na cabeça. Aliás, não dormiu. Passou a noite misturando sonhos e imaginações. Pensamentos soltos que tentava buscar no ar. Logo que abriu os olhos, pegou os óculos na cabeceira da cama e tentou ver a realidade. Era impossível, tamanha a quantidade de suas imaginações. A qualidade também era indiscutivelmente melhor. O que pensamos é melhor do que o que vivemos, disse ela. Queria viver o que pensava, vivenciar suas idéias. Os devaneios de uma moça em busca de se tornar mulher. Gostava de projetar futuro e situações. Não de uma maneira preocupada ou ansiosa. Não. Ela sabia-se leve. Pensava porque gostava de suas idéias e seus ideais. Sempre acreditou ser possível tornar real o seu vasto imaginário. Terreno fértil este das imaginações. Um solo que ela gostava de adubar e colhia, flores de todas as cores e cheiros. Colhia frutos maduros e suculentos. E imaginava assim, correndo, com quem corre em meio a plantação de girassóis. Alegre e feliz ao mesmo tempo. Ela pensava todas as coisas do mundo, as boas, porque não perdia tempo com pensamentos maus. Gosta do que é doce, do que não é amargo. Gosta dos segredos que guarda de um futuro cheio de sorrisos. Sorri, toda vez que pensa no que é possível ser. E de tanto imaginar, tudo aquilo que pensa é cada vez mais real. Não sei se funciona para todos esta coisa de imaginação. Mas pra ela, não só funciona como é o combustível que a torna quem é. As idéias a identificam, acolhem e revelam. Ela é o que pensa e o que escolhe ser em cada um dos seus pensamentos. Enquanto não vive, imagina e de tanto imaginar suas idéias são vividas de uma forma tão rica que só pode ser real, aquilo que ela imagina ser.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

FALANDO COM DEUS

Foto: Paulo Silva

Insisto em falar com Deus. Não tenho hora e nem mesmo local. Nada marcado, nenhuma rotina. Não sigo rituais e nem horas marcadas. Nem mesmo preciso estar rodeada de pessoas. Ao contrário, prefiro estar só com Ele. Falo com Deus sem frases repetidas. As vezes repito, por não saber muito o que dizer. De um jeito ou de outro, sei que me entende. Mais que isto, sei que me ouve. Converso no silêncio das minhas palavras ou algumas vezes, em voz alta. Depende do meu humor. Depende do meu clamor e até mesmo da minha dor. Tem dor que precisa ser gritada e que alguns não entendem. Ele, eu sei, sabe me compreender. Então com Ele grito, quando preciso. Com Ele choro, quando tenho vontade. Por Ele vivo, diariamente. A liberdade que tenho com Deus é diferente da liberdade que tenho com qualquer outro ser humano. Estranho para quem não tem fé ou não a pratica desta forma. Mas incrivelmente natural pra mim que aprendi a ter intimidade com Ele. Conto minhas vitórias e as agradeço. Desabafo tristezas, curo feridas. Entrego o dia de amanhã, minhas dúvidas. Confidencio meus medos e Ele os afasta. Peço ajuda e Ele me estende as mãos. Deito no seu colo e Ele me acolhe. Alucinação, pode parecer. Qualquer coisa assim, como loucura para quem não experimentou vivenciar estas coisas tão sobrenaturais e naturais ao mesmo tempo. Mas insisto em falar com Ele, ainda que sozinha. Ainda que não saibam. Temos um compromisso de caminharmos juntos, Ele cumpre muito mais do que eu. As vezes me afasto, recuo, sento no meio do caminho. Empaco como uma mula. Faço pirraça, teimosia pura. Mas Ele me espera, o tempo que for necessário. Me olha com olhos de compreensão e me encoraja a seguir em frente. Afasta meus medos e livra-me do mal. Perdoa as minhas falhas e me ama. Me ama de uma maneira tão completa que jamais ninguém me amou. Aceita-me como sou, defeitos e qualidades. Fortalece as minhas fragilidades e renova as minhas energias. Por isto, insisto em falar com Ele. Batemos papo, contamos histórias. Ele me revela o que é capaz de fazer por mim e por tantos. Me mostra milagres e prodígios. Confidencia segredos. Somos amigos. Pai e filha. Sou menos do que Ele pretende que sou. Mas serei como Ele quiser. Insisto não só em falar com Ele, mas realizar o que Ele determina. Sou meio surda, um pouco cega. Mas com a ajuda Dele vou adiante. Superarei tudo isto e serei melhor. Foi pra isto que me criou, Ele sempre me diz. Nasci para dar certo e darei. Insisto em falar com Deus, todos os dias e sem hora marcada.  Mais que isto, Ele insiste em falar comigo o tempo inteiro.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VOU PERSISTIR

Foto: mguidone

Eu persisto. Ainda que o caminho tenha curvas ou seja reto demais. Mesmo que o sol queime a minha pele, me deixando frágil. Ainda mais frágil do que sei que sou. Eu persisto. Persisto em acreditar nos meus sonhos. Persisto na vontade de dar certo e de fazer acontecer. Não quero uma vida cheia de iguais, murmúrios e lamentações. Não gosto, não combina comigo. Sei que vou além de tudo isto. Persisto, ainda que doa e machuque. Ainda que tenha que remexer em gavetas que finjo não existir. Ainda que eu tenha que sofrer um pouco mais, ou sofrer de fato, eu persisto. Sei que é necessário não desistir, ainda que me pareça difícil ou impossível seguir em frente. Eu persisto. Mesmo que os outros achem que eu não saia do lugar. Ainda que as pessoas não entendam minha luta, minha batalha aqui dentro de mim. Entre o bem e o mal. Entre ser e não ser. Entre eu e Deus. Entre eu e o diabo. Entre eu e eu mesma. A coragem e o medo. Estes antônimos que vivem em mim. Ainda que tudo isto pareça estranho, ainda que pareça batalha já vencida, não me canso. Insisto. Eu persisto na vitória que sei que sou capaz de ter. Ainda que pareça permanecer na mesma tecla. Ainda que ninguém entenda ou eu mesma duvide vez ou outra, eu persisto. Sempre volto a acreditar nos sonhos que trago desde a infância. Acreditar em mim mesma. Acreditar na beleza que é ser aquilo que sou, acreditar no que acredito e ter o coração que sou capaz de ter. Parece perigoso o caminho que sigo. Parece impossível. Parece desnecessário para tantos que se acomodaram a ser como são. Eu quero mais. Eu persisto em ser melhor. Não estou aqui por acaso, muito menos nasci aleatoriamente. Não acredito nestas coincidências. Sei para o que vim. Sei para onde devo ir. Temo, receio, mas não duvido que sou capaz. É apenas difícil, um pouco complicado. As vezes doloroso o caminho que tenho que traçar. Faço pausas, descanso. Paro. Respiro. Retomo o fôlego e sigo em frente. Não sigo sozinha, embora tantas vezes pareça só. Sei que tenho companhia. Algumas com nome outras nem tanto. Mas estão aqui, ao lado e dentro de mim. Persisto com todos, entre tantos. Persisto comigo mesma, limites e virtudes. Fragilidades e fortalezas. Insisto em acreditar em mim e por isto, não vou desistir.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

QUERO VOAR NUM DENTE DE LEÃO

Foto: autor desconhecido

Quero pegar carona num dente de leão. Sair por aí, voando na suavidade que o vento leva. Leve. Flutuar pelo mesmo ar que respiro, como se fosse uma bailarina em pleno palco do teatro municipal. Sentir a leveza do vento batendo no rosto e ao mesmo tempo me guiando para achar melhor. Confio no vento, ele nunca me decepciona. Gosto de senti-lo no rosto, dele alisando meus cabelos. Gosto disto. Quero pegar carona num dente de leão, sobrado por uma criança ou por um adulto ainda cheio de esperanças. Num fôlego de vida tamanho, quero viajar. Voar, voar, pousar quem sabe num campo verde ou a beira de uma cachoeira. Pairar sobre folhas das árvores de outono caídas ao chão. Repousar. Quero pegar carona num dente de leão. Espalhar por aí a alegria que sinto em viver. Olhar a vida do alto, sobre um outro ângulo. Respirar fundo e ser leve, com só a leveza é capaz de nos tornar. Quero sentir esta liberdade, de estar sob a orientação do vento seguindo sem rumo mas ao mesmo tempo completamente tranquila. Quero pegar carona num dente de leão e que ele me leve para lugares que ainda não visitei. Que me traga sonhos que pensei impossíveis e que eu possa experimentar um jeito novo de viver e olhar a vida. Há vontades em mim que só um dente de leão e sua suavidade poderiam realizar. Por isto, quero pegar carona num dente de leão. Se vir algum por aí, pegue-o com carinho. Sopre-o com vontade e a coragem que só tem aqueles que têm esperança. Admire o flutuar de cada um, o espalhar das alegrias e ainda que em seu pensamento, me coloque nele, se coloque nele, e vamos juntos para onde ele nos levar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

NADA PODE APAGAR

Foto: autor desconhecido


Querem me apagar. Não sei se têm consciência disto ou sabem o que estão fazendo. Mas querem me apagar. Ofuscar o brilho, apagar a vida. Fotofobia, não sei. Talvez seja. Mas querem me apagar. O breu ao redor é grande e quem sabe por isto a minha luz incomoda. Tentam me apagar. Os sonhos, as esperanças, a alegria, a auto-estima. Insistem em me diminuir, roubar meus desejos e me tirar de quem realmente sou. Tentam me apagar. Me tiram do eixo ou eu mesma quem me permito tirar. Sei que muitas vezes eu mesma me apago. Me sinto estranha brilhando no meio do nada. Não quero ser mais que os outros, quero ser igual. Por isto, às vezes, não me acho merecedora do brilho que tenho. E me ofusco. E me apago. Quero me posicionar. Erguer a cabeça e o brilho. Enfrentar o escuro das coisas, das pessoas, dos pessimismos. Iluminar os medos, as angústias, as apreensões. Colocar luz onde não existe. Desvendar segredos, superar limites. Quero me posicionar. Sair deste lugar comum e tão cômodo para todos, onde saio de mim mesma e vou ao encontro do outro e do que lhe agrada. Me desagrado em causa dos outros, sou covarde. Vou deixar de me culpar. Assumir os erros, as falhas. Aceitar meus limites e fraquezas. Todos os têm. Perdoar a luz ou a escuridão que há em mim e independente do que houver ao meu redor, seguir adiante como tiver que ser. Se luz, que eu possa iluminar a todos ainda que no início esta luz os incomode e os tire da zona de conforto. Ainda que desagrade. Ainda que não me aceitem ou tentam me derrubar. Se escuridão, ter força necessária para voltar a brilhar, aceitar o escuro que traz a reflexão e valoriza a energia luminosa que está sempre pronta a voltar. Tentem me apagar, mas eu já não tento mais. A partir de hoje me levanto como lâmpada acesa e sigo em frente. Ilumino meus passos e caminhadas. Não permito mais que invadam e coloquem a mão no interruptor da minha vida. Nem eu mesma o farei. Entre escuros e claros, breus e sóis, sigo adiante como tem que ser, como sou de verdade. É assim que deve ser comigo, é assim que deve ser com você. Sê luz ou sombra, não sei. Mas jamais deixar de ser lâmpada pronta pra estar acesa, ainda que tudo e todos pareçam apagados ou insistam em apagar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

DAS COISAS QUE NÃO GOSTO

Foto: autor desconhecido

Não gosto de fofocas. Não gosto de futricas. Não gosto de estereótipos. Não gosto de maledicências. Não gosto de ironias. Não gosto de materialismo. Não gosto de ambições excessivas. Não gosto de agitação. Não gosto de tristeza. Não gosto de angústia. Não gosto de depressão. Não gosto de medo. Não gosto de inimizades. Não gosto da raiva. Não gosto de rancores. Não gosto de mágoas. Não gosto de vingança. Não gosto de traições. Não gosto de guerra. Não gosto de tribulações. Não gosto da doença. Não gosto da desesperança. Não gosto do desespero. Não gosto. Não gosto dos excessos e de todas as coisas que nos colocam pra baixo, que nos impede de ir pra cima. Não gosto da negatividade. Não gosto da indiferença. Não gosto da desconfiança. Não gosto. Não gosto de culpa. Não gosto da falta de perdão. Não gosto do ódio. Não, não gosto. Gosto é de tudo o que é contrário a todas estas coisas. Quero o lado avesso da vida. Quero é estar do outro lado, do lado do bem e daqueles que fazem o bem. Quero a exceção e não a regra. Disto eu gosto, ainda que desgostem os outros.

terça-feira, 5 de abril de 2011

HUMANOS DE MENOS

Foto: autor desconhecido

Não sei que tipo de humanos somos. Se é que somos. Estes humanos que passam  pelas ruas como se estivessem atrasados para um compromisso que nem sabem qual é. Um compromisso que impede de enxergar o outro, de observar as diferenças. Humanos que não toleram as diferenças e são indiferentes a tantos humanos como eles mesmos. Indiferentes com a miséria, indiferentes com a doença e a dor dos outros. Não conseguem olhar nos olhos daqueles que nas ruas, clamam por um afeto ou atenção. Humanos, preocupados demais com si mesmos a ponto de se esquecerem que não são únicos, são outros. Os humanos que somos têm pouco de humanos. Não todos, porque as exceções fazem toda a diferença neste mundo. Os humanos que somos não têm sido suficientemente humanos para sê-lo. Passam pelos moradores de rua como se fossem objetos, lixos jogados ao chão. Não estendem as mãos, nem mesmo os olhos. Desviam o caminho, viram para o outro lado. Ignoram a dor humana como se não tivessem as próprias e não clamassem por atenção. Estes humanos que faltam o amor ao próximo, na sua essência mais bonita. Amam os filhos, os pais, talvez os avós ou primos. Mas não sabem amar o outro, sem sobrenome, de outro sangue que não seja o seu. Fazem distinção de pessoas, pretos ou brancos, pobres ou ricos, velhos ou novos, homos ou heteros. Definem as pessoas pelas roupas que usam, religiões que professam. Humanos de menos. Esta humanidade que falta na humanidade me incomoda. A minha própria falta de humanidade me afeta. Não sei não tê-la pensando que isto é o mais correto a se fazer. Somos humanos e deviámos buscar um toque de divindade para que pudessemos ser ainda mais humanos, na sua totalidade. Perceber o outro, não apenas ver. Aceitar as diferenças, não apenas tolerar. Olhar nos olhos, sem desviar a atenção. Estender a mão, sem desviar o passo. Abrir os braços, acolher a dor, chorar junto se preciso for. Humanidade que nos falta, a nós, seres humanos. Humanidade que está aí, que está aqui na sua essência, porque nascemos para tê-la e a temos. Humanidade que deve ser despertada, antes que sua ausência nos seja um pesadelo. A falta de humanidade nos impede de sermos aquilo que nascemos para ser. Não chegaremos a lugar algum que desejamos se não houver em nós a humanidade necessária que nos motiva, nos auxilia e nos fortalece, para alcançarmos nossos sonhos. Sejamos humanos e então seremos um pouco também divinos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

FÉ DEVE SER ISTO

Foto: autor desconhecido


Não sei medir a fé que os outros têm, tampouco sei medir a minha própria fé. Quando a comparo com o que imagino de muitas pessoas, a vejo grande demais. Outras vezes, comparado a outros, praticamente inexistente. Se penso na grandiosidade de Deus, nas obras que ele fez, em tudo o que tem feito todos os dias por cada um de nós, me sinto insignificante, sabendo que ainda em toda insignificância, significo muito pra Ele. Fé é uma coisa esquisita. Aqueles que não a experimentaram ou não a conhecem, têm motivos para achá-la estranha. Olhando assim, parece impossível acreditar em algo que não se vê, nunca se viu. Acreditar que as sensações que temos, as boas e extraordinárias, vêm do amor de Deus. Experimentar o amor de Deus sem nunca tê-lo encontrado frente a frente. Rezar por Jesus que já se foi. Chorar diante de um trono, um altar em que nada de palpável se vê ali. Fé é loucura, mas das mais gostosas para quem experimenta. Não que ela tire de você a dor, o sofrimento. Não que ela arranque seus medos e te dê uma coragem extraordinária para enfrentar a vida. A fé não faz de nós super homens ou mulheres. Não nos torna divinos. Mas nos encoraja a buscá-la cada vez mais. Porque experimentar a fé, pelo pouco que experimentamos, dá uma sensação tão gostosa de segurança, paz, de afeto e aconchego, que nunca mais queremos deixar de experimentar. Pelo contrário, queremos mais e mais. Não consigo explicar que sentimento é este que me rouba os pensamentos e me arranca lágrima quando experimento a minha fé. E digo, ela não é grande o suficiente para que você se espante. Mas é delicioso poder sentir um abraço de um pai, ainda que você esteja sozinho. É maravilhoso ouvir a voz de Deus, sem ser esquizofrênico ou maluco ou vidente. Fé é isto. Uma loucura para o mundo de hoje e um espetáculo para quem a vive. Não sei o que é viver sem ela. Não sei quando ela entrou em mim. Penso se em coroações ou escolas dominicais. Se quando eu realmente me abri ou quando entrei para grupos de orações. Não me recordo se foi a música ou as pregações que mais me marcaram. Não sei dizer. Talvez, tenhamos todos nascido com ela e a despertamos em algum momento da vida. Não sei dizer. Mas penso que a vida não faria o menor sentido se eu não a tivesse comigo. Esta fé que trago não tem nome e nem denominação. Não se prende a terços, novenas, sessões do descarrego ou sei lá mais o que. Experimento a fé convivendo com pessoas que a trazem dentro de si. Numa gentileza no trânsito, no sorriso de um gari. Na correria das crianças na praça. Na beleza dos animais. Na gratidão dos mais humildes. Na simplicidade de alguns ricos financeiramente. No amor que é capaz de perdoar o assassinato das duas filhas. Na superação das perdas. Na esperança. Num dia de céu azul ou de chuva fina que nos arranca o calor. Esta fé que quando fechamos os olhos, sentimentos através da nossa respiração. Fé é simples, não tem mistério embora seja repleta de misteriosidades. Ela existe pra quem quiser experimentar. Talvez tenha que ser um pouco criança pra acreditar na imaginação. Há de abrir mão da racionalidade plena.Há de se entregar na vontade de viver uma experiência nova, de descansar da vida. Isto é fé ou não sei dizer. Mas vivê-la traz sentido à vida e faz com que cada momento, valha realmente a pena.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A EFEMERIDADE E O ETERNO EM NÓS

Foto: autor desconhecido

A efemeridade das coisas que são passageiras. A dor que passa e não fica pra sempre. A lágrima que seca. A fome que passa depois de um prato de comida ou porque cansa de doer naqueles que passam fome. A efemeridade do tempo, das coisas deste mundo. Todas as coisas que se vão, até mesmo as pessoas que estão de passagem pela nossa vida. Nada é permanente. Nada. Não que isto seja ruim, porque não acredito que seja de fato. A passagem da vida é necessário para o nosso amadurecimento. Se a vida não passasse, passaríamos por ela simplesmente. Melhor não. Sabendo que terá fim, aproveitamos o máximo o tempo que ainda nos resta e o agora que é eterno. A felicidade está justamente em saber vivê-la. Muitos a têm e a deixam passar, sem fitar os olhos sobre ela e admirar a alegria de ser realmente feliz. Quantos perdem a felicidade por não segurá-la com vontade ou vibrar com a possibilidade de tê-la em suas mãos. Felicidade gosta de festa, não permanece nos que são tristes e apagados. Felicidade fica naqueles que sabem vivê-la bem. Não passa facilmente por aqueles que são contagiados por ela. Ela permanece no sorriso, no tom da voz, no abraço caloroso e na forma de encarar a vida. A efemeridade é muito mais permanente nas coisas fúteis ou àquelas que atribuímos fidelidade. Saibamos viver os sentimentos e eles, não morrem dentro da gente. Posso garantir. As pessoas se vão, o tempo se vai e as rugas chegam, assim como as pernas cansadas. Mas aquilo que vivemos de intenso não vai embora. Tudo o que atribuímos valor é o que fica em nós. Saibamos colocar efemeridade nas coisas certas e eternizar aquilo que realmente é valioso para nós. E assim, saberemos ser felizes e eternos, enquanto durarmos. 



sexta-feira, 25 de março de 2011

FELICIDADE, EU ACREDITO!

Foto: Filipe Pombo

Seu eu acredito nela? É claro que sim, embora muitas vezes me esqueça de acreditar. É que entro na onda do lamento, das murmúrias pelas rabeiras que a vida me dá. Bobeira minha, eu sei. As rabeiras deviam me lembrar ainda mais que a felicidade existe e não me fazer desistir de acreditar nela. Mas eu acredito. Ainda que não o tempo todo, porque felicidade não é algo vivido o tempo todo por todas as pessoas. Temos momentos tristes, de solidão, reclusão. Momentos que vivemos nossas angústias, elaboramos nossas perdas e fraquezas. O que não vale, é ficar preso nestes momentos sem abrir espaço para a felicidade retornar. Ela sempre quer voltar, fica à porta, esperando que a cada dificuldade ou momento difícil, possamos nos abrir a ela novamente e experimentar algo novo, mais experientes e maduros que antes. Eu acredito que ela fica à espreita, espiando pela janela enquanto murmuramos. E acho mesmo que as vezes, deve balançar a cabeça negativamente para as asneiras que pensamos a respeito da vida. Quanta besteira, meu Deus. A gente perde tempo de ser feliz buscando a felicidade em tantas coisas distantes e longe do nosso alcance. E ela ali, do outro lado da porta, espiando pela janela, só esperando a gente convidar pra entrar. A felicidade está nos detalhes, eu sei. Num sorriso bem dado, num bom dia inesperado. No abrir dos olhos pela manhã. A felicidade é a conquista de alguém, a superação de um limite, a aceitação de nós mesmos. Felicidade é viver, ainda que em meio as rabeiras que a vida nos oferece. Felicidade é saber levar a vida enquanto ela nos leva. Felicidade não é onde vamos chegar, mas o caminho que escolhemos percorrer. Podemos ser felizes em tudo, se soubermos olhar com alegria para todas as circunstâncias. Felicidade tem bom humor. Eu acredito nisto, mas ela acredita ainda mais em mim. Mesmo quando a esqueço, ela bate à minha porta. Se acordo de mau humor, ela me dá bom dia. Se durmo mal, ela me oferece um dia inteirinho de possibilidades. Minha melhor amiga, confidente e otimista. Ela me segue adiante, é mais forte do que eu. Mesmo quando desisto dela ela me olha nos olhos e diz o quanto ainda acredita em mim. E quer me fazer feliz, muito mais do que eu mesma me tenho feito. Eu acredito na felicidade. Mais do que eu, é ela quem sempre acredita em mim.

sexta-feira, 18 de março de 2011

FIM DO TÚNEL

Foto: autor desconhecido

Andou por muito tempo sem saber onde estava. Nenhuma referência, placa ou esquina. Ao redor, paredes de pedra que lhe tiravam o fôlego, que lhe impedia a alegria. Nenhuma luz, nenhuma novidade. Todos os dias, caminhava buscando uma saída mas não sabia para que lado estava. Mal sabia se caminhava pelo lado certo. Para distrair os pensamentos, principalmente os maus, rezava. Não aquelas rezas repetidas porque estas não conseguiam afastar de sua mente os pensamentos ruins que insistiam em permanecer. Fazia orações das mais diversas, por uma saída, por uma esperança, pela alegria que lhe faltava já havia algum tempo, pelo sorriso que gostaria de ter no rosto e por todas as coisas que ela sabia que o futuro e Deus lhe reservava. Mas não parava de caminhar. Mal sentava um pouco pra descansar e logo retomava seu rumo. Andou, andou muito sem saber se certo era o seu caminho. No fundo, no fundo, acreditava que sim. Por ist, insistia nesta caminhada. Vez ou outra, olhava pra trás. Não que fosse fraca ou covarde, mas era humana. Mas retomava seu caminho tão logo percebia que melhor era seguir em frente. Cantava músicas da infância, relembrava pessoas agradáveis, boas amizades. Mantinha no coração o amor por tantas pessoas e este a nutria e a fazia respirar embora estivesse sufocada por tanta parede, tanta pressão. E ainda enfrentava os seus próprios fantasmas no meio do caminho. Enfrentava ela mesma e seus medos. Mas não desistiu jamais. Embora parecesse desmotivada, sem esperança, ainda era otimista. E era isto que a fazia seguir adiante a cada novo dia que ela mal sabia quando começava. Por tanto acreditar, não desistiu. E de tanto insistir, embora muitas vezes achou que seria mais fácil desistir, chegou à saida. Não que estivesse chegado ao fim da sua caminhada, porque muito ainda há de enfrentar à sua frente. Mas encontrou um novo rumo, uma nova história. Um cenário novo se abriu ao final do túnel por onde caminhou nos últimos anos. Viu que há lá fora novas possibilidades, tão grandes quanto imaginava. E vendo a luz do lado de fora, descobriu-se forte. Numa força que tantos duvidam e inclusive ela mesma chegou a duvidar. Agora era hora de acreditar ainda mais em si mesma. Agora é hora de encarar a vida e tudo o que ela traz. Agora é hora de ser ela mesma, livre e seguir o caminho que quiser escolher.