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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

VONTADE DE MAR

Foto: J. Pedro Martins


Minha vontade de correr para o mar é maior que a minha lucidez. Me enlouquece, rouba o meu sono. Não que eu não durma, mas passo a sonhar, dormindo ou acordada. Penso no barulho das ondas quebrando na praia, na brisa beijando o meu rosto. O balançar dos meus cabelos em dias de vento, me remetem aos coqueiros que dançam sobre o vento do mar. Gosto da areia branquinha tocando meus pés. De ver o sol, surgir ou se pôr no horizonte. A vida no mar é diferente da vida urbana, normal e cotidiana. Ela não leva os problemas como oferenda ao mar, mas alivia as tribulações e dão um balanço novo ao nosso cotidiano as vezes tão igual e cansativo. Minha vontade de correr para o mar e me jogar nas águas azuis do oceano é maior do que eu. Eu que sou tão pequena e as vezes com tão pouco gingado na cintura. O mar não, ele dança dia  e noite celebrando a vida e a alegria de fazer parte de uma natureza sem igual. Gosto destas coisas naturais. De água de côco, de areia no pé, andar descalço. Gosto de short curto e biquini no corpo. Um sol na pele, protegida por um protetor sessenta. Gosto tanto do mar que volto sem me preocupar com as manchas do rosto queimado de sol. Volto sem preocupar com o cabelo que ficou laranja ou loiro, seco e sem vida. Mas eu, volto tão cheia de vontade de viver que nem ligo para tudo o que se perdeu no caminho. Estou pronta pra recuperar a cada vez que volto do mar. Sou menina da praia, nascida no campo e gosto de me jogar no mar.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O MAR E A ALMA DA GENTE

Foto: autor desconhecido

A liberdade de ir e vir é o que nos devolve a nós mesmos. Ser o que somos. Fazer o que queremos. Mudar de ideia. Esta tal liberdade que nos descansa e nos relaxa. Nos alivia dos olhares dos outros. Liberta as correntes da sociedade. Abre os nossos olhos. O mar, com seu vai e vem, tem o mesmo poder que estas mudanças tem dentro de nós mesmos. O sentido de recomeçar a cada instante. Um recomeço que não é traduzido como retrocesso, mas como uma nova chance, uma outra possibilidade. O mar é como a alma da gente. Limpo, mas flexível. Pelo menos assim as almas deveriam ser. Sei que nem todas o são. Honestas, avançam um pouco mais a cada nova chance. Volta para dentro de si numa busca de auto conhecimento. Só quem se conhece é capaz de se permitir ser quem realmente é. A aceitação vem do auto conhecimento. A reconciliação consigo mesmo, assim como as ondas fazem com o mar o tempo todo. Eu me devolvo a mim mesmo a cada nova onda. Por isto, gosto de olhar o mar no fim da tarde. É quando ele me mostra todas estas coisas que durante o dia eu não soube perceber. É preciso silêncio e demora diante do mar. Um olhar tranquilo e atento. Um fechar de olhos vez ou outra, pra internalizar os sentimentos. Sentir a brisa do mar tocando o rosto e penteando os cabelos. É o momento em que a minha alma tem total liberdade de ser quem é. A reconciliação que o mar me convida a fazer. A devolução do que sou. Uma oferenda nova que é feita como um convite à vida que carrego dentro de mim. A alma da gente é como o mar. Precisa demora, paciência e recomeços o tempo todo. Precisa da liberdade de ser, voar e sonhar. A liberdade de viver. Esta vida que a gente leva dentro da gente, como as ondas do mar.