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sexta-feira, 18 de março de 2011

FIM DO TÚNEL

Foto: autor desconhecido

Andou por muito tempo sem saber onde estava. Nenhuma referência, placa ou esquina. Ao redor, paredes de pedra que lhe tiravam o fôlego, que lhe impedia a alegria. Nenhuma luz, nenhuma novidade. Todos os dias, caminhava buscando uma saída mas não sabia para que lado estava. Mal sabia se caminhava pelo lado certo. Para distrair os pensamentos, principalmente os maus, rezava. Não aquelas rezas repetidas porque estas não conseguiam afastar de sua mente os pensamentos ruins que insistiam em permanecer. Fazia orações das mais diversas, por uma saída, por uma esperança, pela alegria que lhe faltava já havia algum tempo, pelo sorriso que gostaria de ter no rosto e por todas as coisas que ela sabia que o futuro e Deus lhe reservava. Mas não parava de caminhar. Mal sentava um pouco pra descansar e logo retomava seu rumo. Andou, andou muito sem saber se certo era o seu caminho. No fundo, no fundo, acreditava que sim. Por ist, insistia nesta caminhada. Vez ou outra, olhava pra trás. Não que fosse fraca ou covarde, mas era humana. Mas retomava seu caminho tão logo percebia que melhor era seguir em frente. Cantava músicas da infância, relembrava pessoas agradáveis, boas amizades. Mantinha no coração o amor por tantas pessoas e este a nutria e a fazia respirar embora estivesse sufocada por tanta parede, tanta pressão. E ainda enfrentava os seus próprios fantasmas no meio do caminho. Enfrentava ela mesma e seus medos. Mas não desistiu jamais. Embora parecesse desmotivada, sem esperança, ainda era otimista. E era isto que a fazia seguir adiante a cada novo dia que ela mal sabia quando começava. Por tanto acreditar, não desistiu. E de tanto insistir, embora muitas vezes achou que seria mais fácil desistir, chegou à saida. Não que estivesse chegado ao fim da sua caminhada, porque muito ainda há de enfrentar à sua frente. Mas encontrou um novo rumo, uma nova história. Um cenário novo se abriu ao final do túnel por onde caminhou nos últimos anos. Viu que há lá fora novas possibilidades, tão grandes quanto imaginava. E vendo a luz do lado de fora, descobriu-se forte. Numa força que tantos duvidam e inclusive ela mesma chegou a duvidar. Agora era hora de acreditar ainda mais em si mesma. Agora é hora de encarar a vida e tudo o que ela traz. Agora é hora de ser ela mesma, livre e seguir o caminho que quiser escolher.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Possibilidades

Foto: J. Pedro Martins
Saiu por aquela porta, sem saber onde ia dar. Estava tudo tão escuro, por tanto tempo, que já não reconhecia as cores. Já não sabia mais da luz. Antes de abrir, exitou. Pensou no mundo de conforto que o escuro traz, no descanso dos olhos. Ao contrário, pensou na ausência das formas, das cores. Luz e sombra, todos têm o seu valor, suas possibilidades. Mas queria experimentar coisas novas, como os jovens costumam querer. Abriu, puxou a porta e viu um mundo completamente novo e diferente. Agora, estava do lado de fora. Não podia mais voltar. Naqueles primeiros segundos, não sabia se havia feito a coisa certa. Saudade da percepção dos sentidos que o escuro nos traz. Agora era hora de reaprender o olhar. Readaptar os sentidos. Parecia cansada, não fisicamente, mas esteticamente cansada. Mas logo saberia o que fazer. O primeiro momento é sempre adaptação, depois a ação toma conta e já posso vê-la correr para percorrer o mundo de novidades que a espera.