quinta-feira, 19 de maio de 2011

CLIENTE DO DESTINO, NÃO

Foto: Autor desconhecido

Não quero ser cliente do destino. Perder a validade, fazer parte da perecidade. Não quero ser cliente desta gente inconsequência, demente e pouco inteligente. Gente que só pensa em gastar a grana, jogar no lixo e descartar o velho. Não quero ser cliente deste destino fabricado por gente apressada, com mania de acumular comida e coisas, pensamentos e idéias, sem pouco usar nada. Não quero ser cliente da futilidade, dos modismos, das sazonalidades. Não sou fruta de época, nem mulher melancia e nem a gostosa do funk. Eu não tenho gosto e nem desgosto, não sou pra qualquer um. Não quero ser cliente nas mãos de gente incoveniente, que cospe os caroços no chão, que joga fora do lixo a casca da banana e ainda dá risada quando ainda tropeça e cai. Não faço parte deste mercado louco, com cada vez maior número de pessoas, esbarrando umas nas outras, trocando sacolas de plástico ou papelão, suando bicas e brigando por um trocado a menos.  Não quero ser cliente do destino porque não caio nas mãos  de quem não sabe o que quer ou gosta, dos que não têm mais paladar, tão pouco se preocupam com a qualidade ou a saúde. Não quero fazer parte deste jogo, desta vaidade desmedida e mal trabalhada, dos esterótipos com pouco conteúdo, das frutas lisas e brilhantes lotadas de agrotóxicos. Prefiro tudo ao natural, do jeito que tiver que ser. Um pouco amassada, menor que algumas outras, mas suculenta e apetitosa como só a naturalidade consegue ser. Não quero ser cliente do destino porque não sei onde este irá parar. Prefiro ficar aqui, no canto deste mercadinho, distante dos balcões mais procurados, assistindo a tudo de camarote. Dor de barriga, fricote, botox. Sei bem onde isto vai levar. Não sou cliente do destino, sei onde quero chegar e que pra lá, ele não vai me levar.

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