terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Questão de tempo

Foto: Olhares.com

Apesar das regras, dos limites, tinha vontade de viver. Não era triste, a tristeza não era boa companhia. Ainda que trancada, apreciava o que acontecia do lado de fora e passava horas imaginando como tudo seria quando ela saísse dali. Desejava sair enquanto era criança, pra poder bincar de roda e esconde-esconde com seus amigos até então imaginários. Era sozinha, mas não se sentia só. Sua imaginação lhe trazia companhias que ela tinha certeza que ainda iria ter. Teria irmãos e iria brincar com eles no gramado do jardim. Cumprimentaria estranhos. Andaria de bicicleta por toda a vizinhança. Era alegre por saber que tudo aquilo não passava de uma barreira que ela ainda ia vencer. Era só uma porta, uma janela. Do lado de fora tudo acontecia, assim como todas as coisas que aconteciam dentro de sua cabecinha. Um dia, ela sabia, abriria aquela porta e o mundo estaria ali prontinho pra que ela pudesse acontecer.


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